Um manacá na parede
Um quadro balançando
ao vento.
Voltei para os ermos e para
a poesia:
pássaros cintilantes
a hera de fogo
a terra fumegante
por ora
me esquecem.
apenas um sussurro em que se adivinhe
a palavra.
apenas um sopro onde o vento
sequer é lembrado,
o repouso em que se entranha
o recém-nascido.
nada dele cresce
que não se emende em um balouçar
de folhas
(uma oração
cresce na noite
reivindicando
as causas perdidas).
A borboleta do momento atravessa o espaço
vaga, frágil
mas real.
Deixo passar a imagem
de uma certa dor: dentro,
confrontam-se em mim
as aquarelas possíveis.
Aprendo que o mundo é sempre
outra coisa. Desfaço
com as cores permanentes
o laço.
E durmo, carente de mudanças.
E sonho, no repouso,
o que ainda não sei ser,
escutando no silêncio,
vislumbrando no etéreo
o movimento do mundo.
há tantos livros tantos
e para cada um deles uma infinidade de linhas -
em cada linha uma vasta composição
escondendo séculos de vida e morte.
há tantos homens tantos
e para cada um deles uma infinidade de sombras -
em cada sombra uma vasta promessa
diluída em silêncios & feixes de luz.
não: nada importa
senão diminuir o passo frente ao precipício
e contemplar em face ao delírio de flores na escarpa
a queda.