2.1.26

Carrossel

Dançam, sobre a mesa posta,

os meus fantasmas.

Dançam, inadvertidos,

servem-se como lhes convém.


Ninguém os convidou

(tampouco achou-se prudente

que esses lençóis de melancolia

habitassem hora tão pura),


mas ficam. Contam segredos

ao pé do ouvido, disfarçam-se

de margaridas. Um vento

sopra o frio lá fora.


Entre ficar e levantar-me, 

fico. São histórias assombradas

que à meia-noite hão de passar,

como tudo

                  passa.

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